01/05/2016

João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da luz vermelha - Serial Killers Brasil #01


João Acácio Pereira da Costa, conhecido como o Bandido da Luz Vermelha foi um notório criminoso brasileiro que, por causa do padrão de suas atitudes, sua crueldade e frieza, foi classificado como Assassino em Série.

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Vida, Crimes e Fama


João Acácio Pereira da Costa nasceu em Joinville, Santa Catarina, no dia 24 de junho de 1942 e ficou órfão com apenas 4 anos de idade. Algumas fontes dizem que ele perdeu o pai aos 8 anos de idade, vítima de Tuberculose e sua mãe o abandonou pouco tempo depois com seu irmão mais velho, na casa de um tio. Eles eram em 4 irmãos e a mãe desapareceu com os dois mais novos.

Anos mais tarde, já nacionalmente famoso, Acácio relatou maus-tratos cometidos por seu tio tutor, José Pereira da Costa, na época em que ele e o irmão viviam sob a guarda dele em Joinville (SC). Os garotos eram submetidos a trabalhos forçados para se alimentarem. "Luz Vermelha" disse ainda que foram torturados física e psicologicamente pelo tio, que depois negou as acusações.

Após fugir da casa do tio, João Acácio decidiu viver nas ruas de Joinville, onde começou a praticar pequenos delitos como roubo de guarda-chuvas na entrada de cinemas e roupas em lojas, para saciar sua vaidade. Nesta época até ganhou uns trocados como engraxate nas praças da cidade, mas acabou por afundar-se cada vez mais na marginalidade.

Ele também fracassou na tentativa de trabalhar em duas tinturarias. Na primeira, um beijo na filha do patrão, flagrado pelo pai da moça, o fez perder o emprego. Na segunda, "pegou emprestado" o terno de um cliente para ir ao cinema, mas foi visto pelo dono da roupa, que reclamou do ocorrido com o dono do estabelecimento, que acabou demitindo João Acácio.

Aquele que seria, em breve, um dos maiores bandidos do Brasil estudou apenas até o 3º ano primário e, aos 17 anos, semi-analfabeto, já era conhecido nos meios policiais da cidade por ter furtado mais de trinta bicicletas. Com a polícia em seu encalço, mudou-se para Curitiba, mas não ficou lá por muito tempo, logo foi preso aos 18 anos, por roubar um jipe. Fugiu da cadeia em 1963 e se instalou em São Paulo.

Chegou ao estado de São Paulo ainda na adolescência, fugindo dos furtos que praticou no seu estado natal. Foi morar na cidade de Santos, onde se dizia filho de fazendeiros e bom moço e levava uma vida pacata no lugar que escolheu para morar, mas, ao contrário do "bom moço", praticava seus crimes em São Paulo e voltava incólume para Santos.

Sem documentos, não poderia trabalhar mesmo que tivesse vontade e continuou vivendo entre marginais. Sua preferência era por mansões e tinha um estilo próprio de cometer os crimes. Numa época em que alarmes eram raridade, usava macaco de automóvel para arrombar as grades, desligava a chave geral de energia elétrica e escalava com a lanterna na mão.


Durante quinze meses entre 1966 e 1967, praticou 141 crimes, todos confessados. Destes, 120 são atribuídos pela polícia ao Homem-Macaco, seu primeiro apelido. Até então, assaltava sem interromper o sono das vítimas, entrando nas casas nas últimas horas da madrugada e cortando a energia, usando um lenço para cobrir o rosto. O apelido de Bandido da Luz Vermelha nasceu no final de sua curta carreira. Numa noite, entrou em uma casa em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, onde a dona e a empregada dormiam. João Acácio as acordou e pediu que abrissem o cofre. Pegou dinheiro, jóias e, na saída, beijou a mão das mulheres.

Essas mulheres foram as primeiras a vê-lo em ação e o descreveram como alguém que usava uma lanterna de bocal vermelho, o que chamou a atenção da imprensa. No dia seguinte, João Acácio deliciou-se com as manchetes: "Assalto à americana", dizia uma delas. Na reportagem, era chamado de Bandido da Luz Vermelha, a tradução para o português do pseudônimo de Caryl Chessman, condenado na Califórnia em 1948 à câmara de gás, por crime sexual e sequestro, e executado em 1960.


O bandido original, Caryl Chessman, se destacava pela inteligência, fez sua própria defesa no tribunal e se tornou conhecido como o símbolo contra a pena de morte, abolida na Califórnia 12 anos depois de sua execução. João Acácio aprovou a comparação e comprou uma lâmpada vermelha para sua lanterna. "Eles gostaram, me deram a idéia e eu repeti. Fiz outros assaltos assim. Os jornais mesmo é que me deram a idéia de ser o Luz Vermelha" (João Acácio afirmou em uma entrevista para o jornal Última Hora).

Na mídia, o Bandido da Luz Vermelha era apresentado como mulherengo, galanteador, de personalidade violenta, que roubava para praticar orgias em Santos. Diziam que ele gastava todo o dinheiro obtido nos assaltos com mulheres e boates. Mas a realidade era bem diferente. O homem a quem vendia o que roubava, Walter Alves de Oliveira, o Caboré, era seu parceiro amoroso.

João Acácio foi abandonado pelo cúmplice. Um promotor que acompanhava a rotina dos presos na cadeia relata que o Bandido da Luz Vermelha ignorou as centenas de cartas de mulheres com proposta de namoro. Casou-se com o cozinheiro Bernardino Marques, que cumpria pena por ter matado a sogra. Quando o cozinheiro deixou a prisão, João Acácio não teve outros relacionamentos, mergulhando num ciclo de surtos psicóticos, e chegou a ser internado no manicômio judiciário.

O bandido gostava do que lia nos noticiários e alimentou o mito. Em junho de 1967, matou um empresário em São Paulo apenas para desmentir uma versão da polícia, que havia prendido um homem e o apresentara como o Bandido da Luz Vermelha. Em depoimento à Segunda Vara do Júri, contou que estava em Santos quando soube da falsa notícia pela televisão, viajou para a capital e foi até a casa de um industrial, John Szaraspatak, e o matou na frente do filho.

Retrato Falado publicado em 15 de julho de 1967, no Notícias Populares
À medida que a cobertura dos jornais se intensificava, ele tornava-se mais violento. No auge da fama, ele assaltou um sobrado no Ipiranga. A vítima, que sobreviveu por milagre, entrou em pânico quando soube que o bandido deixaria a prisão. Quando esteve preso, o Bandido da Luz Vermelha chegou a dizer que mataria essa pessoa um dia. Hoje ela tem 52 anos e três filhos. Sua irmã conta que o Bandido da Luz Vermelha matou o guarda-noturno e entrou na casa, onde a vítima se encontrava com a empregada. Subiu ao seu quarto e a acordou com a lanterna. Queria dinheiro. Levou a garota para baixo e deu-lhe dois socos. Mesmo zonza, ela conseguiu pegar um cinzeiro e atirar no algoz, que teve o nariz quebrado. O Bandido da Luz Vermelha deu-lhe três tiros. Na época, Acácio contou que havia tentado estuprar a moça. A versão dela é outra. O bandido a agrediu porque, tentando puxar conversa, ela o aconselhou a mudar de vida.

A Prisão do Bandido


A polícia levou seis anos para identificá-lo, conseguindo isso, após ele deixar suas impressões digitais na janela de uma mansão. João Acácio foi preso em 8 de agosto de 1967 na cidade de Curitiba, PR, com uma mala cheia de dinheiro, inicialmente sob o nome de "Roberto da Silva", que foi usado pelo bandido da última vez que tinha sido preso em São Paulo, em 1966. Foi condenado por quatro assassinatos, sete tentativas de homicídio e 77 assaltos, com uma pena de 351 anos, 9 meses e três dias de prisão.


Logo nos primeiros meses de detenção, João Acácio escreveu de dentro da cela uma carta em que denunciava frequentes ameaças de morte que vinha sofrendo na prisão. O relato foi publicado na capa do jornal Notícias Populares, em 6 de outubro de 1967.

Carta de João Acácio, publicada do Notícias Populares em 6 de outubro de 1967.
As quatro pessoas que ele matou:
  • Walter Bedran, 19 anos, em 03 de outubro de 1966, após tentar surpreender João, que acabara de invadir o quintal de sua casa, em Sumaré. Tiro na cabeça.
  • José Enéas da Costa, 23 anos, em 13 de outubro de 1966 (10 dias depois do primeiro assassinato), após uma briga em um bar, no bairro Bela Vista. 
  • Jean von Christian Szaraspatack, dono de indústria, após uma troca de tiros com o bandido, em 07 de junho de 1967.  Este é o cara que ele matou só para desmentir a polícia, que dizia que havia prendido o "Bandido da Luz Vermelha".
  • José Fortunato, vigia na guarita de uma mansão, em 06 de julho de 1967 (quase um mês depois do industrial), após tentar impedi-lo de invadir a casa.
Chamava a atenção de juízes e promotores um traço da personalidade do Bandido da Luz Vermelha: Ele confessava os crimes como se estivesse contando vantagens. Apesar de condenado por quatro homicídios, disse ao juiz que havia matado "uns quinze". Dos 88 processos pelos quais foi condenado, nenhum esteve ligado a crime sexual, apesar da fama. Nunca ficou comprovado que Acácio cometeu estupro ou que teve relações sexuais com suas vítimas.


Depois de analisar o laudo psiquiátrico de Acácio feito quando ele foi preso e o outro, escrito pouco antes de sair, o psiquiatra Claudio Cohen, professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP), arriscou um diagnóstico do criminoso: Acácio seria um limítrofe, patologia catalogada no Código Internacional de Doenças. Não tem a personalidade formada e, por isso, age de acordo com a expectativa das pessoas. Era instável emocionalmente e de sexualidade confusa. Aparentava ser esquizofrênico, mas demonstrava inteligência ao criar métodos de assalto. Dentro desse quadro, agia como um homem bom enquanto esperavam que ele fosse bom, e cruel, enquanto os jornais o exaltavam como um assassino inteligente e sádico.

Libertação e Retorno à Sociedade


Após cumprir os 30 anos de prisão foi libertado na noite do dia 26 de agosto de 1997 e retornou para a cidade de Curitiba, na casa de seu irmão, Joaquim Tavares Pereira, mas depois de desavenças familiares, procurou acolhimento em Joinville, na casa do tio, José Pereira da Costa, o mesmo que tinha acusado de maus-tratos na infância, mas logo depois, novos conflitos, agora com o tio, o fizeram buscar abrigo na casa de um pescador, Nelson Pisingher, de 46 anos de idade, conhecido de longa data. Ele morava de favor e era uma casa de dois quartos tendo que dormir no sofá da sala. Morou lá durante dois meses.

Nelson Pisingher, pescador.
Ele mantinha uma certa popularidade, pois tinha obsessão em vestir roupas vermelhas e quando alguém lhe pedia um autógrafo, ele simplesmente escrevia a palavra "Autógrafo".

Pedia dinheiro ao primeiro que via e era uma celebridade entre as crianças da vizinhança, para as quais deu como suvenires até pregos nos quais pendurava suas roupas na prisão. Chegou a posar nu para um jornal de Santa Catarina, que acabou desistindo de publicar as fotos. O advogado de Acácio, José Luiz Pereira, tentou vender à imprensa a possibilidade de realizar um ensaio fotográfico do ex-presidiário sem roupa.

Sua Morte

Era difícil arriscar um palpite sobre como Acácio seria depois de sair de 30 anos de prisão. Sendo assim, Nelson Pinzegher, aquele que o acolheu de favor em sua casa, matou o Bandido da Luz Vermelha em legítima defesa, com um tiro de espingarda que o atingiu próximo ao olho esquerdo.


O fato ocorreu na noite de 05/01/1998 em Joinville, SC, após quatro meses e vinte dias em liberdade. O pescador atirou no ex-presidiário para defender um irmão, Lírio, que o Bandido da Luz Vermelha tentava matar com uma faca, após uma briga.

João Acácio foi encontrado morto dentro da casa em que residia, na praia da Vigoreli, no bairro Cubatão. Ele estava caído em cima do tapete e tinha uma faca na mão. Conforme o médico legista, Nelson Quirino, João Acácio foi ferido com um tiro na cabeça e outro na clavícula.

Anteriormente, Nelson Pinzegher e o Bandido da Luz Vermelha já tinham se desentendido porque o ex-detento assediava sexualmente a mãe, mulher e filhas do pescador.

Nelson Pinzegher fugiu ao flagrante, apresentou-se dias depois e respondeu ao processo em liberdade. Foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Joinville, apesar de ter sido denunciado por crime qualificado. A própria promotoria pediu a absolvição por legítima defesa de terceiro, que era exatamente a tese da defesa.

Segundo uma apuração do jornal Notícias Populares, o Bandido da Luz Vermelha teve sérias dificuldades para conseguir sua libertação após 30 anos de cadeia: os médicos não queriam vê-lo solto, devido à periculosidade de seu estado mental. Ele saiu, mas o Hospital Regional de Joinville teria assinado seu atestado por insanidade dias antes de sua morte, após longas análises depois de sua saída da prisão e João seria internado em um hospital de Florianópolis, com data prevista para poucos dias. Porém, seu assassinato o impediu de ser novamente enclausurado no Hospital Psiquiátrico.

Dentro e fora das grades, os 55 anos de vida de João Acácio Pereira da Costa se resumiram em 55 anos de pura tragédia.


O sepultamento de João Acácio Pereira da Costa, ocorreu no Cemitério São Sebastião, no bairro Iririú. O velório foi na própria capela do cemitério. Curiosos, crianças, primos e até o irmão de João Acácio, Joaquim Pereira, do balneário de Coroados, em Guaratuba, PR, acompanharam o sepultamento.

Mesmo tendo acompanhado o funeral, o irmão de João Acácio, Joaquim Pereira e nem o tio dele, José Pereira da Costa, se responsabilizaram pelo sepultamento, que acabou sendo realizado pelo conselho local de saúde do bairro Cubatão. Segundo o presidente do conselho, Claudio Bernardes, a Secretaria do Bem Estar providenciou o caixão e a empreiteira Rosa Leite cedeu o túmulo.


"O velório deveria ser realizado na capela do Cubatão, mas a igreja católica se recusou a aceitar Luz Vermelha porque ele não era membro da igreja", falou Claudio Bernardes. A secretária paroquial da Igreja Senhor Bom Jesus, Maria da Silva Pereira se justificou: De acordo com ela, a matriz não recebeu nenhuma encomenda de funeral.

O velório de João Acácio foi tranquilo e acompanhado por muitas pessoas. Ao lado do caixão, a prima dele, Maria de Jesus Lopes, chorava. O irmão de João Acácio, calado, disse que não queria falar sobre a morte. Além dos parentes, curiosos e principalmente crianças, faziam questão de ficar ao redor do caixão.

Mídia e Cultura Popular

Sua vida de crimes inspirou o filme O Bandido da Luz Vermelha de 1968, do cineasta Rogério Sganzerla, em que foi vivido pelo ator Paulo Villaça. Apesar de ser um filme verídico, o final foi alterado para que o seu personagem cometesse suicídio.


Também foi tema do programa Linha Direta Justiça, da Rede Globo.


Virou música nas mãos do grupo de rock Ira! em Rubro Zorro, que abre o terceiro disco Psicoacústica (1988) e a faixa ainda possui algumas falas do filme de Rogério Sganzerla.


O cantor de horrorcore, Patrick Horla, também fez uma citação de sua personalidade como base para a canção "O bandido da lupa vermelha".


O bandido foi satirizado pelos humoristas do programa Hermes & Renato, da MTV, onde fez um clipe com "Demo Lock MC" (uma sátira de Satanás).


"Luz nas trevas - A volta do bandido da luz vermelha", é a sequência do primeiro filme de Rogério Sganzerla e foi um dos selecionados para a competição internacional do 63º Festival de Locarno, na Suíça. O filme tem direção de Ícaro Martins e Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, estrelado pelo cantor Ney Matogrosso, tendo sido rodado em 2009 e estreou em 2010.


João Acácio Pereira da Costa roubou, espancou, atirou, perseguiu e matou muitas pessoas. Foi diagnosticado por insanidade limítrofe e gostava de sua fama, sem apresentar nenhum remorso. Ele pode ser considerado um maligno Serial Killer.


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Fontes e agradecimentos:
Wikipedia
Site Bandidos Famosos
Folha de São Paulo/Notícias Populares
Revista Veja, Edição 1511, de 03/09/1997, página 30, por Bruno Paes Manso