A Verdadeira Historia de Bloody Mary, a Maria Sangrenta - Descobertas Científicas e Históricas | Lendas Urbanas de Terror


As 12 versões principais, os rituais de invocação e as descobertas científicas sobre esta famosa lenda urbana.

Nomes e Apelidos

Bloody Mary, Mary Worth, Mary Worthinton, Mary Jane, Mary Whales, Mary White, Hell Mary são alguns dos nomes que ela recebe em países de Língua Inglesa, especificamente, nos EUA, onde supostamente a lenda nasceu. No Brasil, ela é conhecida como Maria Sangrenta ou Bruxa do Espelho, e, por vezes, associada à Loira do Banheiro, à Mulher de Branco, à Maria Degolada ou à Mulher de Algodão (erroneamente, já que não possuem nenhuma similaridade, a não ser o fato de serem fantasmas de mulheres atormentadas). Já em Espanhol, ela recebe os nomes de Verónica (vínculo com Sta Verônica), Maria la Paralítica ou La Vieja del Quinto. Em outras línguas, com certeza, ela deve ter outras dezenas de nomes e associações a personagens, mas citei apenas alguns para ilustrar a proporção que esta figura assumiu no Planeta, pois tanto países ocidentais quanto orientais a conhecem e possuem suas versões de acordo com sua cultura e crenças.

As Múltiplas Versões


Versão 01 (EUA): Maria Justiceira


Bloody Mary foi uma mulher assassinada no início dos anos 1900 por um médico cirurgião que arrancou seus olhos e a deixou em frente a um espelho para morrer. Mesmo quase morrendo, a garota teria tentado revelar seu assassino escrevendo a letra "T" no espelho, que era a marca registrada do cirurgião psicopata. Dizem que Bloody Mary não é nada mais que uma Justiceira, que, quando invocada ou provocada apareceria somente para aqueles que possuem envolvimento com alguma morte e tenha mantido segredo. Sua punição é ter seus olhos arrancados, para que, como suas vítimas, nunca mais possam ver a luz do sol e aqueles que amam. Para invocá-la, a pessoa deve se posicionar em frente ao espelho e pronunciar seu nome 3 vezes, olhando fixamente em seus próprios olhos. Depois de matar o criminoso ela escreverá a inicial do nome da vítima do evocador no espelho, na tentativa de que alguém descubra o enigma.

E você, esconde algum segredo sórdido de um pecado que cometeu? Então, eu sugiro que não chame o nome dela... Porque os espelhos são pequenos portais para o outro mundo e seus olhos, o reflexo de sua alma. Se você sente culpa por alguma coisa errada que fez, a sua alma já não pertence mais a este mundo. Uahahahaha...

Versão 02 (Cidade de Jackson, Michigan, EUA): Enterrada Viva


Bloody Mary era uma menina, por volta de seus 15 anos, que adquirira uma doença incurável e teria entrado em coma ou catalepsia. Como na época desconheciam tais estados, seu pai, que era médico, supôs que ela teria morrido e enterrou-a rapidamente, em uma caixão, no jardim de sua casa. Sua mãe teria insistido que a filha não estava morta, de maneira que o pai, ao enterrá-la, amarrou um cordão em seu pulso, com um sino que ficaria na parte de fora do túmulo, que tocaria alertando-os, caso ela se mexesse. A mãe ficou ao lado da sepultura por cerca de três dias, afirmando que podia escutá-la, e o pai, temendo que o frio da noite a matasse e a loucura se apoderasse dela, teria lhe injetado morfina, afim de que, desacordada, ele a carregasse para dentro da casa, abandonando a vigília. Na manhã seguinte, o sino estava todo destruído e, ao desenterrar a filha, encontrou-a com as mãos completamente ensanguentadas e suas unhas cravadas à porta do caixão, na tentativa de sair viva. Morreu por asfixia. A personagem desta versão, aparentemente não possui uma missão, a não ser fazer crer no Sobrenatural os céticos e brincalhões que ousam desafiá-la. Seria um espírito raivoso, que não aceitou sua morte e que, antes de matar o evocador friamente com uma faca, passaria dias assombrando-o, sendo vista frequentemente andando envergada, na parte de baixo de escadas. Dizem que antes de ela te matar você ouvirá o som do sino amarrado em seu pulso. O evocador somente estaria seguro enquanto mantivesse as luzes acesas. Aqui, os criadores da versão deixam claro que Mary seria uma alma engolida pela escuridão de suas mágoas, que atacaria pelo simples prazer de causar dor a fim de aliviar a sua própria. Há ainda quem diga que, se Mary aparecer para você segurando uma rosa ou um bichinho de pelúcia, você será poupado de sua ira. Ou seja, ela por vezes, é bipolar. Para evocá-la você deverá acender 3 velas em frente a um espelho, dar 3 voltas e enquanto dá as 3 voltas, dizer seu nome 3 vezes.

Versão 03 (Inglaterra): Rainha Sangrenta


Bloody Mary seria o fantasma da Rainha da Inglaterra e Irlanda, Maria I, da dinastia Tudor, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, que viveu entre os anos de 1516 e 1558 (morreu nova, com apenas 42 anos!) e que teria reinado de 1553 até a sua morte (cerca de 5 anos). Seu mandato foi marcado por fome, peste e intensas perseguições religiosas, onde ela queira restabelecer o Catolicismo Romano, fazendo com que mais de 280 dissidentes religiosos protestantes fossem queimados. Muitos outros, inclusive da realeza, considerados por ela como desertores, foram decapitados, esquartejados, presos, entre outras maldades. Não dá para contar toda a vida dela aqui, mas basicamente, ela era filha ilegítima de Henrique VIII, e estava em conflito com os possíveis outros herdeiros do trono, por questões de posse, poder e supremacia religiosa. Quando finalmente conseguiu tornar-se rainha, começa um outro conflito: produzir um herdeiro para seu reinado. É aqui onde entra a parte macabra da lenda. Maria I, em 1554, teria forjado uma gravidez, ou teria tido uma gravidez psicológica, que levou seu marido a abandoná-la ao ser revelada. Por esse fato foi bastante ridicularizada e entrou em enorme depressão, chegando a pensar que teria sido punição divina por ter tolerado hereges em seu reino, o que a tornou extremamente cruel. Em 1557, seu marido volta a Inglaterra, tentando persuadi-la a apoiá-lo em uma guerra contra a França, momento em que Maria I pensa estar grávida novamente. Entretanto, mais uma vez, não houve criança. Cerca de um ano depois ela morre, vítima de uma epidemia de gripe, mas ela morreu sentindo muita dor, provavelmente por conta de um cisto ovariano e/ou cancro no útero. Dizem que, para provocá-la, você diz, em frente ao espelho: "Eu roubei seu bebê, Bloody Mary!", 3 vezes. A punição do evocador provavelmente será uma de suas atrocidades enquanto viva.

Versão 04 (América): Mary Vaidosa


Mary era uma menina de 15 anos, muito bonita e vaidosa. O centro de sua vaidade era seu lindo cabelo, ao qual, todas as noites, Mary penteava 100 vezes. Um dia, quiseram pregar-lhe uma peça ou dar-lhe uma lição, e um rapaz entrou em seu quarto e ficou escondido em seu armário enquanto ela se penteava. Mary estava distraída e o homem saiu, tampou sua boca com um pano e cortou seu cabelo. Ela não suportou ver-se feia e não conseguiu esperar que seu cabelo crescesse novamente, entrando em profunda depressão. Provavelmente foi ridicularizada por seus amigos e, semanas depois, suicidou-se. Esta deve ser a versão que não mata seus evocadores, mas que os mutila, arranhando seu rosto, e causando-lhe marcas profundas a fim de ferir sua vaidade, como foi feito a ela, obrigando a pessoa a se esconder do mundo, se não conseguir superar seu orgulho, e por fim, será assombrado até que cometa suicídio para livrar sua alma. O ritual para convocar a aparição é dizer o nome dela 3 vezes, olhando fixamente para o espelho, e enquanto espera por ela, deverá pentear os seus cabelos 100 vezes, como ela fazia todas as noites.

Versão 05 (América): Bloodsworth, a Bruxa da Floresta


Mary Bloodsworth teria sido uma mulher que viveu nas profundezas de uma floresta em uma casa de campo e que vendia remédios naturais para sobreviver. Os povos que viviam na cidade vizinha diziam que ela era uma bruxa, em parte pelos costumes diferentes de se isolar na floresta, de possuir conhecimentos obscuros para obtenção de curas e por sua exuberante beleza, que enfeitiçava os homens e causava ira e ciúmes nas mulheres. Ninguém ousava enfrentá-la por medo de perder seu gado em uma seca, ou ter seus alimentos apodrecidos antes do inverno, ou mesmo de perder seus filhos por alguma doença desconhecida, afinal, uma bruxa irritada teria inúmeros modos terríveis de se vingar de seus vizinhos. Houve um tempo em que as meninas da aldeia começaram a desaparecer, uma por uma. Ninguém conseguia descobrir aonde elas poderiam ter ido. As famílias atingidas procuraram pelos bosques, pelas casas abandonadas locais, pela cidade inteira, e em todos os celeiros, mas não havia nenhum sinal delas. Algumas almas corajosas ainda foram à casa de Maria na floresta para ver se a bruxa tinha conhecimento do paradeiro das meninas, mas ela negou qualquer conhecimento dos desaparecimentos. Estes, enquanto a interrogavam puderam observar que sua aparência havia mudado. Ela parecia mais jovem e ainda mais bonita que de costume. Os vizinhos começaram então, a suspeitar dela, mas ainda não tinham qualquer prova para incriminá-la. Então veio a noite, quando a filha de um moleiro levantou-se da cama e caminhou para fora, como que em transe, ou sonâmbula, sob o efeito de alguma música encantada que mais ninguém podia ouvir. A esposa do moleiro estava com dor de dente e não conseguia dormir e estava sentada na cozinha cuidando de seu dente com ervas quando viu sua filha sair pela porta sem ao menos notar sua presença. Ela gritou para seu marido que, ainda com pijama, juntou-se com a mulher para tentar conter a garota, mas em vão. Esta seguia como que hipnotizada e caminhava para a saída da cidade. Os gritos desesperados dos pais da garota acordaram os vizinhos, que vieram ajudar. Um agricultor de visão aguçada gritou e apontou para a floresta onde teria visto uma luz estranha na direção para onde a garota se dirigia. Seguiram para o campo, onde viram Mary, a bruxa, em pé, ao lado de um carvalho, esperando por sua vítima hipnotizada, segurando uma varinha mágica apontando para a casa do moleiro. Ela estava radiante de uma luz sobrenatural enquanto colocava seu feitiço sobre a menina. Os aldeões, que já estavam armados à espera de uma luta, cercaram a mulher, que tentou fugir ao ouvir a comoção de linchamento, mas foi atingida nos quadris por uma bala de prata que um agricultor carregava consigo. Revoltados pelos raptos de seus filhos, os aldeões queimaram-na viva em uma enorme fogueira. Antes de morrer, porém, Bloody Mary teria lançado uma maldição sobre eles onde aquele que mencionasse seu nome em voz alta em frente a um espelho sofreria sua terrível vingança. Depois que ela morreu, os aldeões foram à sua cabana e encontraram as inúmeras sepulturas sem identificação das meninas que a bruxa malvada tinha assassinado. Ela usava o sangue delas para manter sua juventude.

Dentro desta mesma versão, há um final diferente em alguns lugares, que diz que Mary, ao ser descoberta enfeitiçando a filha do moleiro, teria conseguido fugir pela floresta. Os raptos cessaram, as pessoas se acalmaram e tudo voltou ao normal, mas algum tempo depois, ela voltou a frequentar a cidade e os moradores notaram que Mary estava grávida. Armaram uma tocaia para apanhá-la afim de fazê-la confessar o rapto das crianças e confessar quem era o pai da criança em seu ventre, pois temiam ser filho do Diabo. Como ela não quis contar a origem de sua gravidez, alegando ser imaculada, provavelmente para proteger alguém, foi colocada em julgamento por adultério e foi considerada culpada, e o ministro local declarou que fossem executados logo após o parto. Mary foi humilhada pelos aldeões até o fim da gravidez, sendo chamada de prostituta, bruxa, adúltera, destruidora de lares, assassina de crianças, mulher do Diabo, e assim por diante. Sendo uma sociedade machista, eu posso apostar que ela deve ter sofrido também muitos abusos físicos, psicológicos e sexuais antes de morrer. Por fim, em 1700, o bebê nasceu. Mary foi obrigada a assistir com extremo horror à tortura e à morte de seu filho. Quando acabaram com a criança, foi a vez de Mary sofrer as consequências de seus atos libidinosos, suas práticas anticristãs e os raptos. Mary foi colocada em frente a um espelho, para que admirasse, pela última vez, a beleza roubada das jovens e foi forçada também a ver sua própria mutilação, onde cada aldeão fez um corte no rosto de Mary, que agonizou até a morte. Dizem que ela tornou-se um espírito vingativo e cruel, que punirá aquele que a invocar retalhando seu rosto, arrancando seus olhos, ou puxando-o para dentro do espelho, para que seja torturado pela eternidade com ela, no inferno. Aqueles que, por acaso, conseguirem escapar da morte, serão perseguidos até a insanidade tomar conta de suas mentes, assombrando-os sempre que olharem em qualquer superfície que reflita imagens, não só o espelho.

O evocação mais utilizada para ambas as versões é a de envolver-se em um cobertor, em frente ao espelho, à meia noite, à luz de velas, e repetir o nome "Bloody Mary" ou a frase "Mary Whalles, eu acredito em você!", em número de 13 vezes. (Descrito em 1978, por Janet Langlois)

Versão 06 (Boston, EUA): Bruxa Acorrentada


Nesta versão, Bloody Mary também é o fantasma de uma bruxa, mas que assombra um local em específico - o Boston Latin School, a primeira escola aberta no Novo Mundo. Ela foi descrita como uma mulher que era vista em pé, olhando para fora dos espelhos dos banheiros da escola, com um vestido ensanguentado envolto em várias correntes enferrujadas e drapejadas em torno do seu pescoço e ombros. Atrás desta escola há um pequeno morro íngreme e, logo mais acima há um cemitério muito antigo, cujas lápides, abandonadas há muito tempo, já nem possuem identificação. Diz-se que este cemitério é o lugar onde estão enterrados os corpos de várias mulheres que foram condenadas por prática bruxaria e heresia e que foram enforcadas em 1740. No Natal de 1741, uma mulher chamada Mary Bloodsworth foi acusada pela morte do gado na região e por ter enfeitiçado uma jovem de 20 anos deixando-a louca e fazendo-a pular em um rio e afogar-se. Ela foi julgada 3 dias antes, onde 11 vizinhos testemunharam contra ela e foi enforcada, no dia de Natal, em uma árvore bem próxima à escola. Nesta época, lendas como a dos vampiros estavam em alta e era comum enterrar os mortos com seus caixões envoltos em correntes de ferro, mas Mary foi enterrada com seu corpo todo envolto dessas correntes, inclusive seu pescoço. As pessoas tinham medo de que seus corpos pudessem sair de suas covas e vingar-se das pessoas, por isso algumas vezes elas eram enterradas viradas para baixo. Ao longo dos anos, as pessoas sempre traziam flores, doces, bonecas e outras oferendas aos túmulos da bruxa. Seria algo como consciência pesada? Seu túmulo tem uma lápide vermelha, sem nenhuma escrita. Há rumores de que pessoas visitam seu túmulo afim de retirar lascas de sua lápide como amuleto de sorte. Dizem também que adeptos de práticas de bruxaria realizam rituais, acendem velas e deixam oferendas como galinhas mortas em sua sepultura. Pequenos espelhos também são encontrados encostados à lápide, deixados por pessoas que tentaram convocar seu espírito. Os rituais para sua evocação são os mais variados, não havendo um em específico para que eu pudesse descrever aqui.

Versão 07 (Pensilvânia, EUA): Sacrifício a Mary


Aqui ela é chamada de Bloody Mary, Mary Worth, ou Mary Jane e foi descrita em 1988 por Simon J. Bronner, no livro "American Children's Folklore" como uma bruxa que foi assassinada no bosque atrás do Pine Road Elementary School, onde hoje é um cemitério. Ela é uma jovem de cabelos longos, pele muito pálida e há sangue escorrendo de seu rosto a partir de um corte. Note que esta versão que é oficializada em um livro, escrito por um famoso folclorista dos Eua, é bastante parecida com a versão 06, de Boston. Ambas aconteceram atrás de uma escola e eram bruxas condenadas pela sociedade. No entanto, o ritual desta versão é um tanto mais macabra, como descrita no próprio livro e envolve corte e sangramento além da conjuração do espírito. Seu castigo para quem a evoca seria a morte, a loucura ou suicídio. Para evocá-la, os corajosos devem entrar no banheiro, fazer um pequeno corte em seu dedo ou furá-lo com uma agulha para extrair gotas de sangue e depois dizer: "Acreditamos em Bloody Mary", 10 vezes, de olhos fechados. Quando abrir os olhos e olhar no espelho verá uma garota de cabelos longos, pele clara e um corte na frente de onde brotava sangue.

Versão 08 (Hungria): Condessa Sangrenta


Mais uma versão em que Bloody Mary é associada a um personagem histórico. Desta vez, temos uma Condessa: Elizabeth Bathory. Além de ser chamada de Bloody Mary, ela também é conhecida como a Condessa Drácula, e viveu sua infância na Transilvânia. Desde pequena já demonstrava seu caráter sombrio com repentinas crises de rancor e temperamento descontrolado. Mas foi adulta e já casada com o conde Ferenc Nádasdy, que Elizabeth aflorou o monstro dentro de si. Seu marido era militar e se ausenta por longos períodos de casa, e Elisabeth administrava a casa. Na época era comum o maltrato aos criados, mas Elizabeth possuía um notório sadismo exagerado. Ela não apenas punia os que infringiam os regulamentos, como procurava de todos os meios, motivos para castigar, torturar e matar seus funcionários. Espetava alfinetes em unhas e mamilos e fazia-os morrerem congelados e despidos no inverno, por exemplo. Quando seu marido encontrava-se no castelo, juntava-se a ela nessas práticas e até lhe ensinou uma nova modalidade: despi-los e passar mel em seus corpos, deixando-os à mercê de insetos até morrerem. Quando seu companheiro morreu, ela mudou-se para Viena, onde continuou suas atrocidades. Daí em diante sua parceira no crime foi uma mulher que se chamava Anna Darvulia. Muitos dizem que esta mulher foi uma sábia e temida ocultista, alquimista e praticante de magia negra e que era amante da Condessa, incutindo-lhe durante o tempo que estiveram juntas, grande parte de seus conceitos mais sórdidos de crueldade. Após a morte de Darvulia, Elizabeth passa a se relacionar com Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio mental definitivo de Elizabeth ao encorajá-la a incluir mulheres da nobreza entre sua vítimas. A esta altura, a Bloody Mary húngara já não mais se deleitava apenas com a tortura e morte a sangue frio, ela passou a beber e se banhar com o sangue de suas vítimas, em rituais que, segundo ela, manteriam sua juventude eterna. Com o passar do tempo, estava cada vez mais difícil conseguir criadas para sua macabra "refeição", foi quando ela aceitou as sugestões de Majorova. Sua queda foi justamente devido a isso: enquanto ela matava apenas camponeses, tudo estava relativamente tranquilo, mas a partir do momento que começou a vitimar as filhas de outros nobres, foi finalmente descoberta. A investigação que começou a ser feita ao seu redor deveu-se nem tanto pelas vítimas, que eram apenas desconfianças, sem provas, mas com a intenção de confiscar-lhes os bens e suspender o pagamento de dívidas que outras pessoas haviam feito com seu marido. Ao revistarem a casa em busca de provas de fraudes financeiras, encontraram um diário com o nome de 650 vítimas, escritos com sua própria letra. Seus cúmplices foram condenados à morte, mas a Condessa foi poupada, por causa de seu envolvimento amoroso com um dos juízes, mas recebeu o veredito de prisão perpétua, em solitária, no Castelo Cachtice, sem portas ou janelas. A única comunicação com o meio exterior era a abertura por onde colocavam alimentos e água. Lá passou os últimos 3 anos de vida, terminando seus dias completamente insana. A brincadeira da invocação de seu espírito é algo absolutamente assustador, pois implica que o fantasma se apodere de seu corpo, possua você, para começar a sua vingança contra aqueles que a delataram e a prenderam na solitária, bem como a instauração de um novo reinado de sangue e torturas. No final das contas, o evocador ficaria louco e provavelmente seria condenado por todos os crimes, e seu espírito estaria livre para possuir novas cascas.

O ritual para sua evocação é feito colocando uma grande vela vermelha entre você e o espelho, olhar diretamente em seus próprios olhos e dizer a frase: "Erzebet, Erzebet, use-me em sua vingança. O Rei chegou, e sua vida está preparada, maligna, maligna, Erzebet!" (Erzebet é como se pronuncia o nome dela na Pensilvânia). Você deve dizer esta frase algumas vezes até que apareça uma mulher bonita de cabelos longos. Ela lhe mostrará seus dentes cheios de sangue e talvez um pouco de sangue fresco de sua última vítima: você.

Versão 09 (Brasil): Maria Sangrenta
Conhecida como Maria Sangrenta ou Bruxa do Espelho, possui três versões.


09.1. A primeira versão do Brasil conta que ela foi a mulher de um Coronel que conheceu um outro rapaz e por ele se apaixonou, escondendo o pérfido romance. Algum tempo depois, eles armaram para assassinar seu marido para que ficassem juntos e assim foi feito. Com o passar do tempo, este mesmo rapaz por quem Maria tanto sacrificou, abandonou-a por uma outra mulher, muito mais jovem e mais bonita que ela. Maria, sentindo-se triste, feia e humilhada, acabou tirando sua própria vida em frente ao espelho de sua penteadeira, lugar onde passava horas se arrumando para agradar seu amado. Sua ira é tão grande que ela não mata apenas o evocador, mas todos os que estiverem na casa.

09.2. A segunda também fala de uma certa Maria esposa de um Coronel, mas desta vez, não é Maria a pessoa infiel, mas sim seu marido, que era um cara interesseiro e mulherengo, que teria se casado com ela por causa de sua posses. Maria era uma mulher muito vaidosa e bonita, que sempre gostava de andar bem produzida, passando muitas horas em frente ao seu espelho. Desconfiando que seu marido a traía, ela começou a  espioná-lo. Certo dia, interceptou uma conversa de seu marido combinando um encontro com sua amante, e pasmem: em sua própria casa! Na noite do combinado, Maria fingiu estar dormindo e esperou que seu marido saísse da cama durante a noite. Foi silenciosamente até a cozinha, apanhou uma faca e subiu ao segundo andar da casa, onde ela sabia que se encontravam os traidores e os matou com uma fúria jamais vista. Logo depois da chacina, teria ido ao seu quarto olhar-se no espelho, para comparar sua beleza com a da amante. Não suportando ver sua vaidade ferida pela traição e agora por ter que enfrentar uma possível prisão, Maria corta os pulsos e morre ali, encostada ao seu espelho favorito. Dizem que quem invoca seu espírito recebe uma morte muito brutal e seu corpo jamais é encontrado, ficando para sempre na lista de pessoas desaparecidas e ela se apodera de sua alma eternamente.

09.3. A terceira descreve Maria como uma linda mulher, que encantava todos os homens que dela se aproximavam. Era casada com um homem muito rico que lhe dava de tudo, jóias, roupas finas, viagens, uma bela casa e todo o conforto que seu dinheiro podia lhe dar. Mas Maria não era uma mulher fiel, nem mesmo leal a seu marido. Constantemente via-se envolvida em pequenos casos apenas por diversão. Em um de seus dias de aventura, Maria trouxe um de seus amantes para casa e, por azar, seu marido os pegou em pleno sexo ardente. O homem revoltado assassinou o amante e, antes de matar sua mulher, colocou-a de frente a um espelho e picotou seu rosto com uma faca, para que ela admirasse pela ultima vez, sua desgraçada beleza. Finalizou cravando a faca em seu ventre, tirando sua vida. O espírito da mulher acabou ficando preso ao espelho e busca meios de se libertar. Ao ser invocada ou provocada, ela desfigura o rosto da pessoa por vingança de sua vaidade.

Os rituais para evocar qualquer uma das três versões são apenas dois: Se você quer libertar seu espírito, deverá dizer seu nome somente 2 vezes, em frente ao espelho. Mas se quiser que ela apareça, para que você possa vê-la, deverá dizer seu nome 3 vezes em frente ao espelho.

Versão 10 (Espanha): Verônica


Em Espanhol, ela chama-se Verónica e possui também três versões. Dependendo de onde a história é contada, ela pode mudar de nome, sendo, por vezes chamada de Carolina ou Micaela. E poderá aparecer como uma bruxa, como um fantasma ou como um cadáver em decomposição, mas também na forma de duas irmãs ou duas amigas. Ela pode matar quem a tenha invocado, geralmente com qualquer objeto cortante que esteja nas proximidades (faca, lâmina de barbear, cortador de unhas, tesoura,, etc.), fazendo com que este dispare, encravando-o no coração ou pescoço da vítima. Também há versões que dizem que ela poderá possuir você e beber seu sangue.

10.1. A primeira versão trata-se de uma jovem que morreu na adolescência enterrada viva por causa de uma doença. Quando acordou dentro de sua cova, foi tomada pelo desespero de não conseguir sair e usou a agulha de um broche que enfeitava sua roupa para se matar, cravando-a em seu coração. Seu espírito segue vagando tentando encontrar descanso.

10.2. A segunda descreve Verónica como uma adolescente vaidosa vítima de uma brincadeira cruel. Uma casamenteira fez chegar a ela uma proposta de casamento de um homem de elevada posição econômica e social. Ao descobrir a mentira, Verónica não pôde suportar a vergonha pública e suicidou-se em frente a um espelho, cortando seus pulsos com uma faca.

10.3. A terceira fala de uma garota de 14 anos que um certo dia quis brincar com uma tábua Ouija em uma casa abandonada com seus amigos. De repente, com muita ousadia, não quis mais respeitar as regras dos espíritos e ficou brincando durante toda a seção. Em um dado momento, uma cadeira que havia no local ganhou vida e atingiu-a mortalmente na cabeça. Mas a vingança dos espíritos não acaba aí, e ela se viu condenada pela eternidade e sua missão é castigar todos aqueles que brincam com o sobrenatural e não respeitam suas manifestações.

O Ritual de evocação consiste, entra várias configurações, em envolver o uso de objetos do cotidiano, como um livro sagrado (geralmente a Bíblia), um objeto cortante (em memória dos que mataram Verónica) e 3 velas. A conjuração de Verónica é um dos mais utilizados no Solstício de Verão em quase todos os países, que é a época mais favorável do ano para atividades esotéricas, e as probabilidades de uma invocação benigna e positiva são maiores.

Versão 11 (Espanha): La Vieja del Quinto


María la Paralítica ou La Vieja del Quinto é o nome de uma personagem que vivia no sétimo andar de um prédio. Sua vida foi uma total tragédia. Pouco antes de completar 20 anos, seu pai era pedreiro e morreu na construção do prédio. Sua mãe, pouco tempo depois, caiu em um vão da escada, falecendo em seguida. E, quando Maria completou seus 21 anos, já havia tornado-se uma pessoa muito perturbada e nervosa. Certo dia, subindo pelo elevador de seu prédio, houve um problema técnico e o elevador parou entra o quinto e o sexto andar. Foram duas horas para que pudessem resolver o problema. Mas Maria, que sofria de desespero e depressão, não conseguiu esperar que resolvessem o caso e abriu a porta do elevador para tentar sair pelo vão em direção ao sexto andar. Uma pessoa que ia passando naquele momento a via tentando sair e ajudou a puxá-la, mas quando estava quase saindo, o elevador baixou, amputando suas pernas. Por essa tragédia, Maria teria se tornado uma pessoa amarga e mesmo sendo ainda jovem, quem a visse, pensaria se tratar de uma velha. Ela tinha uma personalidade muito sombria e explodia com qualquer pessoa que tentasse ajudá-la, mesmo com os assistentes sociais, de modo que com o passar do tempo, já ninguém queria prestar-lhe socorro. Passados mais de dois anos, a prefeitura mandou um outro assistente social, para averiguar denúncias de vizinhos dela sobre muito mau cheiro vindo de seu apartamento. Quando entrou, viu uma casa cheia de lixo e fezes por todo lado e Maria estava viva, e fazia suas coisas rastejando pelo chão, e já não conversava, soltava apenas grunhidos. O assistente saiu apavorado de medo. Uma semana depois chamaram o corpo de bombeiros para que socorresse a mulher, pois havia rumores de que ela vagava rastejando pelos corredores do prédio, já que o assistente saiu correndo, deixando a porta da mulher aberta. Quando os bombeiros chegaram, encontraram-na morta em seu apartamento. Dizem que quem realiza o ritual de sua evocação ficará preso no elevador e será obrigado a encará-la no esplendor de seu horror, ou tentar escapar pelo vão da porta entre um andar e outro e arriscar ter suas pernas arrancadas, como aconteceu a ela. Contam que até hoje, no tal prédio onde ela morava, se você colocar as orelhas na porta, você poderá escutá-la rastejando pelos corredores, arranhando as portas, pedindo ajuda, e nos elevadores, pode-se escutar, em determinados horários, uma risada macabra que ecoa pelo poço do elevador. Quando ela está por perto, pode-se sentir o cheiro de suas carnes em decomposição.

Para convocar a sua aparição, você deve pronunciar seu nome em frente a um espelho de elevador, 5 vezes, uma vez em cada andar. Antes de chegar ao sexto andar, o elevador parará bruscamente e ela virá até você, personificação de todas as pessoas que zombaram dela e não a ajudaram.

Versão 12 (Mundial): Maria Acidentada


Bloody Mary teria sido uma garota que após sofrer um terrível acidente, teria ficado com o rosto todo deformado. As cicatrizes ficaram tão feias que ela era motivo de constantes zombarias e humilhações. Em profunda depressão, resolveu vingar-se de seus opressores fazendo um pacto com o diabo, onde entregou sua vida em um suicídio perturbador, em frente a um espelho. E todo aquele que invocar seu nome 3 vezes na frente de qualquer superfície que reflita imagens, terá uma morte absurdamente dolorosa e sua alma queimará no inferno.

Rituais e Evocações

Nós, seres humanos, somos muitíssimo curiosos com tudo à nossa volta, mais ainda em se tratando do mundo sobrenatural, por essa razão estamos constantemente procurando por novas experiências. Os rituais que envolvem as aparições de Bloody Mary normalmente têm como pré-requisito uma boa dose de coragem e, lógico, conhecimento. O espírito invocado supostamente aparece somente para indivíduos que, ritualisticamente, invocam o nome dela um determinado número de vezes, de frente a um espelho, em uma sala mal iluminada ou à luz de velas, em um ato de Catoptromancia, que é a arte de adivinhar com a utilização de espelhos, prática muito comum entre os estudantes de Magia. A aparição pode ser vista normalmente coberta de sangue, sob a forma de uma bruxa, de um fantasma ou de um cadáver, e pode ser amigável ou maléfica.


O folclore diz que o objetivo do desafio é de que os participantes sobrevivam à aparição, que estará certamente irritada e tomará diferentes atitudes de acordo com a pessoa, desde apenas gritar com eles até arrastá-los para o inferno na eternidade.

O primeiro passo do ritual é certificar-se de que a sala esteja completamente configurada de uma maneira que irá garantir que a fronteira entre o mundo físico e o mundo espiritual estejam em contato. A maioria dos pesquisadores paranormais concordam que uma sala escura reduz a energia que o espírito exige para se manifestar, a fim de aparecer. Em segundo lugar, velas acesas parecem acrescentar energia espiritual ao ambiente e, muitas vezes, fornece ao espírito a energia adicional de que precisa para se materializar. E em terceiro lugar, e não menos importante, os participantes devem se proteger com alguma oração, ou ritual, ou amuleto, a fim de que sobreviva e não seja atacado ou perseguido pelo espírito. Normalmente acende-se um incenso junto às velas. O ritual de evocação deve começar exatamente à meia noite. Não aceite o jogo desafiando as forças sobrenaturais, tenha muito respeito pelo mundo espiritual e jamais zombe ou faça brincadeiras durante o ritual. Esta é uma das maneiras de você sair ileso.

O ritual em si é realizado uma pessoa de cada vez, mas pode ser feito em grupo. Se você tentar fazê-lo sozinho, estará à merce das forças sobrenaturais e provavelmente terá muitos problemas caso sua proteção seja invadida. Tenha sempre em mente que deve haver alguém do lado de fora do banheiro ou do quarto ou da sala onde você realizará a invocação, alguém que não esteja participando diretamente do ritual. E por que isso? Pelo simples fato de que essa pessoa o ajudará a voltar de seu estado alterado. Sim, você não conseguirá permanecer normal, você será afetado. Nunca tranque a porta, pois se trancar, não terá como seu amigo te socorrer. Quando você terminar de chamá-la, provavelmente verá algo e gritará. É neste momento em que ele deve entrar e acender a luz, acalmando você, e o fantasma desaparecerá. Se seu amigo demorar a entrar você poderá ficar tempo demais exposto ao efeito de horror que sentirá e isso poderá lhe causar sérios danos, não apenas espirituais, como também psicológicos e inclusive físicos. Especialistas em espiritualidade advertem para que você jamais use esse tipo de magia de evocação se não tiver preparo e conhecimento, pois as sequelas são terrivelmente intensas. Este é um meio que desconhecemos, onde não dominamos as energias e não temos controle de nossas reações.

Em 1976, Mary e Herbert Knapp em seu livro "O folclore das crianças americanas", contam que, para ver a aparição, você deverá dizer o nome "Mary Worth" 47 vezes, de frente a um espelho. Ela aparecerá segurando uma faca nas mãos e sua aparência conta com um aditivo: uma verruga no nariz.

Análise da Lenda

A lenda surgiu pela primeira vez no início dos anos 1960 como um jogo adolescente de festas, embora muito sombrio e assustador. Mas, como tantos rituais populares e lendas urbanas, a hora exata e local de sua origem é impossível definir. Folcloristas começaram a fazer registro dela apenas a partir de 1970.

Há um corpo de folclore e superstição atribuindo propriedades mágicas e/ou divinatórias em espelhos que remonta tempos antigos. O mais antigo desses remanescentes para a modernidade é a superstição de que quebrar espelhos traz má sorte. A ideia de prever o futuro olhando um espelho é ainda mais antiga, descrita na Bíblia (I Coríntios 13) como "ver através de um vidro no escuro". Há menções de adivinhação em espelhos na Literatura antiga como no conto "Squire Tale", de Chaucer (1390), no poema "A rainhas das fadas", de Spencer (1590), e na peça "Macbeth", de Shakespeare (1606), entre outros.

Uma forma particular de adivinhação associada com o Halloween nas Ilhas Britânicas implicou que olhar em um espelho realizando um ritual não-verbal para convocar uma visão de um futuro noivado. Este exemplo é de poemas de Robert Burns, publicado em 1787: "Pegue uma vela, e vá sozinho a um espelho; coma maçãs antes, e você deve pentear o cabelo o tempo todo; e o rosto de seu companheiro conjugal será visto no vidro, como se espreitasse acima do ombro.


Há um exemplo parecido, mas não datado, que descreve um ritual que você faz para conhecer o rosto de seu futuro marido, ou esposa, onde deverá subir sozinho um lance de escadas, de costas, segurando uma vela e portando um espelho grande o suficiente para caber o seu rosto e o rosto de mais alguma pessoa. Enquanto sobe, em silêncio, olha fixamente no vidro e o rosto aparecerá por cima de seu ombro. No entanto, há uma enorme chance de, ao invés de ver o rosto de seu futuro companheiro, ver o rosto do Ceifador, indicando que você morrerá antes mesmo de se casar.

Outro exemplo de adivinhação, neste caso, acompanhado de um canto ritual, aparece no conto de fadas "Branca de Neve", dos Irmãos Grimm, em 1857: "Ela era uma mulher bonita, mas era orgulhosa e arrogante, e não podia suportar que alguém a superasse em beleza. Ela tinha um espelho mágico. Todas as manhãs, ela se apresentava perante o espelho, olhava-se e dizia: 'Espelho, espelho meu, quem nesta terra é mais bela do que eu?' Ao que ele respondia: 'Você, minha rainha, é a mais bela de todas.'" Como todos crescemos lendo Branca de Neve ou assistindo sua versão feita pela Disney, sabemos que a rainha, que era obcecada pelo espelho, foi finalmente destruída por sua própria vaidade, e é neste e em semelhantes contos de advertência que vemos elementos básicos do sangrento ritual de Bloody Mary emergir.


"Se você olhar em um espelho por muito tempo você terá a certeza de ver o Diabo", adverte um ditado inglês do século XIX. Uma capitulação mais visceral da mesma admoestação moral aparece em um livro do folclore publicado em 1883: "Quando menino, uma de minhas tias que viveu em Newcastle costumava dizer-me que uma certa garota que ela conhecia era muito vaidosa e gostava de ficar de pé diante do espelho admirando-se. Uma noite, enquanto ela se admirava, seus cachos ficaram cobertos por enxofre, e o Diabo apareceu espiando por cima do ombro".

Uma superstição que remonta a partir do século XVIII até hoje considera que os espelhos devem ser cobertos ou ter seus rostos virados para a parede, na presença de uma pessoa morta. Alguns diziam que significava "o fim de toda a vaidade" Outros acreditam que seria uma demonstração de respeito aos mortos. Ainda outros acreditavam que um espelho descoberto era um convite para aparições fantasmagóricas aparecerem. Hoje em dia é muito difundido uma superstição de jamais dormir com um espelho próximo a você ou aos pés da cama, pois quando dormisse, seu corpo astral se refletiria no espelho e você ficaria preso ao corpo, não conseguindo recuperar suas energias.

"Não é bom para um cadáver que seja refletido em um vidro ou espelho, porque os mortos não descansarão", escreveu Marie Trevalyan em "Folklore and Folk-stories of Whalles"(1909). As possíveis consequências de não agir em conformidade com a regra, são descritas neste trecho de "Obrigações & Consultas" (1924): "Eu me lembro de quando minha avó morreu. Espelhos e imagens foram cobertos com lençóis brancos. Foi me dito que se não fizéssemos isso, o espírito do morto fica preso à superfície, e as pessoas vendo-se refletidas, veriam também o cadáver por cima dos ombros e tomariam um susto". O que liga esta superstição ao ritual de Bloody Mary é a aparição no espelho, mas a diferença fundamental é a de que o primeiro fantasma aparece porque alguém se esqueceu de cobrir o espelho; no segundo, o fantasma é propositalmente convocado.


O princípio comum de que os espíritos habitam o mundo terreno por causa de negócios inacabados ou a fim de se vingar é a base para a presença de Maria. A bruxa quer vingar-se da sociedade responsável por sua morte por negligência e a mulher quer arruinar a vida de outra pessoa para silenciar a sua dor. Ambas estas razões são aceitáveis, o que é extremamente importante para que a história ganhe ampla aceitação como lenda urbana. Mary foi criada para ser invencível. Sua morte faz com que ela fique imune a qualquer tipo de autodefesa. No entanto na série de televisão "Supernatural", eles conseguiram criar uma maneira criativa de derrotá-la, usando sua própria regra: ao evocá-la, você deveria colocar um outro espelho de frente para o reflexo dela, para que ela veja sua própria imagem e enxergue todas as coisas ruins que também tem causado a tantas pessoas e logo depois você deveria quebrar o espelho, destruindo-a.

Os ambientes desconhecidos do ritual agitam ainda mais os participantes. O artigo de Freud "O Estranho", afirma que até mesmo lugares familiares como a sua casa, podem tornar-se extremamente estranhos e até mesmo assustadores sob certas circunstâncias. A atmosfera de breu no banheiro cai sob estas circunstâncias. A maioria das pessoas nunca experimentou ficar dentro do banheiro sozinhos com a luz apagada por um período prolongado de tempo.

Neste mesmo artigo Freud fala do cinismo da sociedade como um todo. Mesmo sabendo que a lenda afirma que coisas ruins podem acontecer durante e após o ritual, as pessoas estão ansiosas por fazê-lo. O artigo propõe que as pessoas com mais instrução deixaram de acreditar que os mortos podem tornar-se visíveis e estão procurando maneiras de se excitar, sem risco de repercussões. As pessoas colocam suas vidas em risco porque querem experimentar algo verdadeiramente fantástico.

Cientificamente, está provado que olhar para um espelho em uma sala mal iluminada por um período prolongado de tempo pode causar alucinações, onde as características faciais podem parecer estar derretidas, distorcidas, desaparecer ou girar, enquanto outros elementos alucinatórios, como rostos de animais e figuras estranhas, podem aparecer. Giovani Caputo escreve que este fenômeno, que ele chama de "ilusão de face estranha" seja uma consequência de um "efeito dissociativo de identidade", que faz com que o sistema de reconhecimento facial do cérebro falhe de uma maneira ainda não identificada. Outras possíveis explicações para estes fenômenos incluem ilusões atribuídas, em parte, aos efeitos de percepção do Efeito de Troxler (fixação do olhar em um ponto fixo que faz com que o que está na visão periférica desapareça) e, possivelmente, auto-hipnose.

Faça um teste com esta imagem abaixo: olhe fixamente para a cruz no centro. Logo sua visão periférica desaparecerá e você não mais enxergará os pontos cor de rosa.

Efeito Troxler

Alan Dundes, em seu ensaio "Bloody Mary in the Mirror", faz uma reflexão do ritual como fruto da ansiedade na fase de pré-puberdade, onde o jogo simboliza uma analogia ao ritual de passagem de idade em culturas ocidentais.A idade e o gênero dos participantes (meninas prestes a entrar na puberdade), as referências ao sangue na lenda e o fato de o próprio ritual ser feito geralmente em um banheiro, tudo sugere uma ligação conceitual com o início da menstruação. Bloody Mary é um ritual antecipatório, de acordo com Dundes, "um aviso do que as meninas podem esperar ao atingir a puberdade essencialmente". Executá-lo provoca sentimentos de excitação atingida pelo medo e apreensão.


Mas meninos e adultos também tentam fazer os rituais, você irá contestar. Rs. Verdade. É neste momento que coloco uma visão um pouco mais ampliada da visão de Dundes: Bloody Mary é um rito de passagem para qualquer ser humano que está prestes a encarar uma nova fase em sua vida, seja ela espiritual ou física. Digo isso porque outra possível explicação científica para os efeitos maléficos do ritual reside no fato de que o espelho reflete a sua própria imagem, ou seja, você estará encarando não uma Bloody Mary raivosa e vingativa, mas um ser humano que você desconhece ou talvez conheça tão bem a ponto de querer dissociá-lo de sua própria pessoa, como um monstro que quer destruir você. Encarar-se de frente, no escuro, sozinho, sem ruídos: talvez seja um dos maiores medos da humanidade. O sangue representa aquilo que corre em suas veias, dentro de você, e por vezes, colocar isso para fora pode ser terrível, pois ser você mesmo, em uma sociedade construída dentro do Normalismo, pode não ser aceito e encarado como Anormal. Por isso, guardamos tantos temores, engavetamos tantos sonhos e engolimos tantas expressões verdadeiras de nós mesmos. Mary pode ser a parte de você socialmente construída que aniquilaria sua parte verdadeira e incrível.

A noção de que encantamentos rituais podem ser utilizados para alcançar fins sobrenaturais decorre não apenas do folclore e dos contos de fadas, em que restos de mitos e superstições antigas são mantidos, mas também da própria mentalidade infantil sujeita a uma variedade de formas de pensamento mágico. Entre eles está um fenômeno identificado pelo psicólogo Jean Piaget como "Realismo Nominal", o que é a tendência em confundir objetos com seus nomes, resultando na crença de que palavras e pensamentos podem influenciar os acontecimentos do mundo real.

Para quem já conhece sobre o assunto "Matrix", certamente discordará da Teoria de "Realismo Nominal", de Piaget. A Matrix, ou "Bolha", como gosto de chamar às vezes, quer que enterremos essa nossa existência eterna e desconhecida. Quer que sejamos pessoas adormecidas, pois assim, é mais fácil nos dominar, nos controlar, através do medo, da insegurança, dos rótulos sociais. É mais fácil dizer que tudo é coisa da nossa cabeça, que fantasmas não existem e que não temos alma. Mas tudo isso é real, tão real quanto as letras que você vê agora. E. a menos que você queira ser vítima de um espírito rancoroso que vai matá-lo ou enfiá-lo em um hospício, eu sugiro que não chame, nem desafie Mary, seja ela uma entidade ou sua própria identidade dissociada.

Do ponto de vista do senso comum, Bloody Mary é apenas uma brincadeira de adolescentes para assustar em festas do pijama, ou desafiar amigos que se dizem valentes. Em algumas situações é apenas um jogo para "batizar" membros, ou seja, crianças que querem se integrar em algum grupo ou tribo da comunidade escolar, onde devem provar sua bravura. E ainda outras vezes não passa de mera especulação do sobrenatural, uma natural curiosidade na tentativa de viver algo diferente e emocionante. Das muitas maneiras que Bloody Mary pode ser interpretado, a mais óbvia e literal é como um conto preventivo demonstrando os perigos de se brincar com magias.

No entanto, comprovado cientificamente, temos sim uma existência espiritual em nós e no mundo que conhecemos. Portanto, clichê, ou não, é algo desrespeitoso brincar com o Sobrenatural. Gosto muito de citar o programa "Extranormal", de um canal de Tv mexicano, pois eles investigam vários casos, mas não apenas por curiosidade, ou diversão, ou desafio. Em todas as investidas deles, fazem evocações, mas com a intenção de levar luz e encaminhar possíveis espíritos que não seguiram, que continuam presos a esse plano, por questões não resolvidas ou por apego materialista. Entendo que somos seres curiosos, ávidos por saber mais sobre o que está debaixo dos panos na nossa visão limitada, mas tudo que fizermos deve ser feito com respeito e boa intenção. Não aconselho ninguém a realizar tais rituais. Tenho um cagaço enorme e não faria, pois não tenho preparo espiritual, nem coragem cética para enfrentar o desconhecido. Faz muito sentido, mas não devemos levar como simples brincadeiras. Como disse acima, o espelho é o seu próprio reflexo, e não há monstro mais difícil de encarar do que nós mesmos. Enxergar a própria escuridão pode ser perigoso até mesmo para os mais crédulos. Além disso, tudo o que há, não é matéria, como acreditávamos até pouco tempo atrás, ou como aprendemos na escola: tudo o que existe são pensamento e energia, o que é suficiente para construir tudo o que tocamos e vemos por aí. Já ouviu falar de Formas-Pensamento? Logo escreverei uma matéria aprofundada sobre isso, mas resumidamente, é o que acontece com Bloody Mary: uma lenda que, de tanto ser praticada, relatada e acreditada, passa a manifestar-se no mundo material, seja por força psicológica ou por forças sobrenaturais.

Finalizando temo que, como tudo nesta vida, conselhos não sirvam pra nada, pois você fará se tiver real intenção de fazer, portanto, boa sorte, caso tente... Rs.

Mídias

Assim como tantas lendas de terror e histórias de fantasmas, Bloody Mary revelou-se tão rica em detalhes e fundamentos que foi vastamente adaptada em romances, histórias, histórias em quadrinhos, filmes, brinquedos, músicas, jogos e arte em geral.

Filmes:
  • Clive Barker entre os anos de 1984 e 1985 lançou uma coletânea de contos entitulada "Livros de Sangue", que continha o conto "The Forbiden" (O Proibido) que possuía o enredo baseado na lenda de Bloody Mary. Este mesmo conto fez tanto sucesso, que foi adaptado para o cinema na trilogia "O Mistério de Candyman", em 1992. O personagem é evocado dizendo seu nome 5 vezes em frente ao espelho. O legal desta história é que a morte do personagem que gerou Candyman é muito parecida com a morte do Negrinho do Pastoreio, uma lenda brasileira. Vale a pena conferir. 
  • Conheça a Trilogia de filmes "Urban Legends" (1998/?/2005). Os dois primeiros filmes falam levemente sobre Bloody Mary, mas a versão é a da Mary Justiceira. Somente no terceiro filme, temos um capítulo dedicado exclusivamente a ela: A Vingança de Bloody Mary". 
  • O Jogo do Espelho, lançado em 2006, começa com um "batizado" de tribo entre garotas. Muito bacaninha também. 
  • Em 2008, o filme "The Legend of Bloody Mary" foi bastante aclamado pelo público. Infelizmente não consegui assistir este, então deixarei com vocês a análise. Rs.
  • O filme Atividade Paranormal 3, de 2011, também relata o ritual de evocação de Bloody Mary. Da série de filmes, foi o que mais gostei. 
Séries: 
  • Supernatural S01E05: Dean e Sam enfrentam brilhantemente a Bruxa do Espelho, revelando uma solução bastante criativa para derrotá-la. Assustador!
  • Ghost Whisperer S02E15 e S03E02: Melinda tem que lidar com a Bruxa e com os participantes da tal brincadeira. Interessantíssimo. 
  • The X-Files S03E13: Fox Molder e a agente Scully devem enfrentar um ritual pra lá de assustador. 
Músicas: 
  • Fiquei encantada com a música Bloody Mary, da cantora pop Lady Gaga. Ela faz uma interpretação de Mary como sendo Maria Madalena, aquela que foi salva por Jesus, na Bíblia, de ser apedrejada por prostituir-se e por adultério. Denuncia uma sociedade machista e católica, além de hipócrita, que mesmo sendo consagrada a ser uma das santas da Igreja, continua com sua imagem de meretriz. 
  • A banda de horrorcore BMJ (Bloody Mary Jane) fez também duas músicas muito legais com a personagem: "Bloody Mary Jane" e "Time to Kill".
  • Também achei bonitinha a música da dupla Silversun Pickups entitulada "Bloody Mary (Nerve Endings). Aqui eles fazem uma recapitulação de suas vidas, na época em que eram adolescentes e brincavam de Bloody Mary. Bem levinha. 
Games:
  • Grim Tales: Bloody Mary Collector's Edition. Parece bem legal. 
  • Bloody Mary Android Horror 
  • Bloody Mary The Witch Lair (Android/IOS) 
  • Bloody Mary (Damned)
Para finalizar a postagem, veja esta boneca de pano, vendida sob o nome de "Bloody Mary": está disponível para compras online e suas características são "Cabelo preto, sangue no rosto e nas mãos, terror de beleza perdida. Infelizmente um espelho não está incluído". Confesso que adoraria ter uma no meu escritório. Rs. 


Fontes e Agradecimentos:
Wikipedia
Dr. David Emery, especialista em Lendas Urbanas
Halloween Website
123Helpme
Paranormal.Lovetoknow
UrbanLegends-Myths
Amazon.com

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