Velório Macabro de Christopher Rivera Amaro


Christopher Rivera Amaro foi um boxeador porto-riquenho que faleceu no dia 26 de janeiro de 2014, com apenas 23 anos de idade, vítima de uma bala deflagrada por um atirador desconhecido, na cidade de Santurce, Porto Rico. As suspeitas é de que ele tenha sido assassinado. Mas o que vamos relatar nesta matéria não é a forma em que o pugilista morreu, nem vamos falar das investigações, até porque ainda estão em andamento, mas sim da maneira bizarra com que seu corpo foi velado. Confira!

Enquanto Porto Rico chorava e lamentava sua morte de maneira tão inesperada, a família do boxeador resolveu fazer uma última homenagem ao seu ente querido - atendeu a um pedido inusitado feito por ele mesmo antes de morrer: queria ser velado em pé, dentro de um ringue de boxe.


Elsie Rodriguez, vice-presidente do Marin Funeral Home, disse que a família de Amaro queria comemorar suas realizações como boxeador. O corpo foi embalsamado e exposto em uma recriação de um ringue, como se Amaro estivesse pronto para enfrentar mais um adversário, em um combate para conquistar um título maior.

Seu velório foi algo diferente de tudo que já tinham visto: Rivera estava vestido com todo o seu equipamento desportivo, luvas de boxe e até seus óculos escuros, com o qual sempre entrava nos ringues para uma luta.

Mãe, esposa e filho do boxeador
A mãe de Rivera, Celine, sua esposa, Lidianette Carmona, e seu filho, Julio Christopher, posaram para fotos com o corpo, que também foi visitado por centenas de outros enlutados.


Apresentar os mortos como se eles ainda estivessem vivos, por mais que esteja tornando-se uma maneira cada vez mais popular entre as famílias para lidar com o luto por seu ente querido, não é nem de longe uma ideia nova. A Era Vitoriana (1830-1901), por exemplo, tinha uma verdadeira obsessão pela morte. Nesta época, a morte era algo muito presente na sociedade. A esperança de média de vida nos anos 1830 em Londres para as classes mais altas era de 44 anos, a dos homens de negócios era de 25 anos e a das classes trabalhadoras não passava dos 22 anos de idade. Além disso, 57% das crianças das classes trabalhadoras morriam antes de completarem 5 anos.

Ao contrário de hoje, que a maioria das mortes ocorre nos hospitais, na Era Vitoriana a maioria das pessoas morriam em casa, o que trazia maior proximidade e relação com a morte e levava à criação de certos rituais ao seu redor. Quando alguém estava à beira da morte, era costume chamar toda a família para reunir-se à volta da cama do moribundo e aguardar, com muita expectativa, as últimas palavras do falecido.

Devido à elevada mortalidade infantil, e ao fato de ser esta, em muitos casos, uma das poucas ocasiões em que a família toda estava reunida, começou a surgir o costume de tirar fotografias dos falecidos. No caso das crianças, estas fotografias eram muitas vezes, a única recordação que a família tinha de seus filhos e era costume colocar a foto em um lugar de destaque na casa, como a sala de visitas.



Esta cultura vem sempre ligada à expressão latina "Memento Mori", que significa "Lembre-se de que você é mortal", ou "Lembre-se da morte", proveniente, principalmente, da Literatura Barroca. As fotografias "Post-Mortem", embora tenham um contexto bastante diverso da cerimônia do funeral de Christopher Rivera Amaro, prestam ao mesmo significado: a homenagem a quem um dia caminhou entre nós, seus feitos, sua personalidade. Além disso, retrata a morte não como um final absoluto e degradante, mas reflete o falecido como se ainda estivesse vivo, como uma maneira de lidar com a perda de um jeito menos doloroso.

Fontes: Wikipedia. IBTimes.