08/07/2016

Aleksei Kuliabko: Cientista que Tentou Ressuscitar os Mortos | Ciencia, Tecnologia, Misterios


Rússia: início do século 20. Uma onda assustadora de cientistas tentando trazer os mortos à vida mais parece um conto de ficção científica, mas aconteceu de verdade. O cara injetou uma poderosa solução de sais e adrenalina na corrente sanguínea de um cadáver e todos os seus assistentes tiveram que sair correndo de puro terror. Veja o que aconteceu.

Aleksei Aleksandrovich Kuliabko (1866-1930) era um cientista russo que trabalha para o Laboratório de Fisiologia da Academia Imperial de Ciências de São Petersburgo, na virada do século 20. Em 1902, ele já havia descoberto a forma de reiniciar o coração dos animais que haviam sido removidos depois de até cinco dias. Em 1903, ele passou então a tentar reanimar corações humanos. A primeira tentativa de Kuliabko foi um bebê de três meses de idade, que tinha morrido de causas naturais. Dois dias depois da morte da criança, o pequeno coração bateu novamente.

É um salto muito grande ressuscitar um ser humano completo, mas Kuliabko era nada se não um verdadeiro ambicioso. Relatos de sucesso da Rússia e suas tentativas de ressurreição foram notícias no mundo. Editoriais não só elogiavam suas realizações até à data, mas também tranquilizavam o público que era apenas uma questão de tempo antes que os testes fossem bem sucedidos em uma cabeça humana, e, finalmente, em um corpo humano completo. A linha entre ficção científica e fato científico estava se tornando turva. Kuliabko se tornou a face do avanço científico, e muitas vezes foi destaque em imagens promocionais de algumas peças teatrais bem horríveis.

De acordo com as histórias, Kuliabko realmente tentou reanimar um corpo humano inteiro. Usando o cadáver de um homem que morreu em uma cirurgia, no dia seguinte com a ajuda de um farmacêutico e químico chamado Fyodor Andreyev, o cientista russo preencheu os vasos sanguíneos do homem morto com uma mistura de cloreto de cálcio, cloreto de potássio, cloreto de sódio, bicarbonato de sódio e dextrose (essa mistura se chamava "Solução de Locke" e foi inventada por um cientista britânico para manter o coração bombeando) e adrenalina. O coração do homem começou a bater novamente e, ainda deitado sobre a mesa, desenvolveu uma respiração como que asmática, seguida de espasmos, que fez com que os assistentes saíssem correndo do quarto, aterrorizados. Depois de manter o coração batendo por 20 minutos, Kuliabko puxou o plugue, encerrando a experiência.

Talvez perturbado pela experiência, ou cauteloso com a reação que poderia despertar no público se a informação de um morto reanimado vazasse, Kuliabko decidiu realizar seus futuros ensaios em cães, seguindo o exemplo de Bryukhonenko, outro cientista russo que tentava a ressurreição. Uma das cobaias caninas de Kuliabko mostrou resiliência notável: após ter sido envenenada e reviver uma vez, ela foi supostamente envenenada novamente e deixada morta durante vários meses, antes de ser reavivada com sucesso uma segunda vez.

Fonte e agradecimentos:
Livro "How to Make a Zombie: The Real Life (and Death) Science of Reanimation and Mind Control", por Frank Swain